quarta-feira, 28 de maio de 2014



CRUXIFIQUEM-ME
Sim, preguem-me numa cruz, como fizeram ao JC há 2000 anos!
Não que eu tenha pretensões a ser um novo JC, nem pensar nisso. Mas também não sou nenhum ladrão como os que o rodeavam.
Sou um simples homem, com todos os defeitos de qualquer comum mortal, talvez, segundo alguns, mais que o normal.
Virtudes? Acho que as consigo contar pelos dedos de uma só mão, de tão escassas.
Não, nem uma encontro…
Vá, força, amarrem-me e preguem-me à cruz!
É um pecado enorme, uma coisa horrenda, esta coisa de querer alguém após ter ficado viúvo. Isso não se faz!
Ainda por cima uma brasileira… Oh… uma brasileira… oh…
Se fosse uma portuguesa, que ela fosse prostituta, ladra, assassina, isso seria de somenos importância. Agora uma brasileira… Que pecado capital!
Não importa que tivesse dedicado inteiramente quase 26 anos da minha vida a uma mulher que, por pouca sorte minha e maior infelicidade dela, me deixou, partiu para de onde não se volta, de onde não há retorno.
Não importa que tenha dedicado a 4 filhos maravilhosos todo o empenho de Pai e de Amigo. Que tenha feito por eles o que podia e o que não podia, e continue com a mesma atitude.
Não estou a querer cobrar nada, apenas a constatar factos.
Não importa que seja um trabalhador respeitado pelas chefias e pelos colegas, desde há quase 41 anos na mesma empresa.
Nada importa do que tenho feito de bom, nada conta.
Apenas conta o facto de querer refazer a minha vida com alguém que eu quero e que me quer muito.
Então isto é coisa que se faça?
Querer ter alguém por companhia para a vida? Querer alguém para compartilhar tristezas e alegrias? Não querer estar só? Isto faz-se??
Não, não se pode fazer!
Tens que pedir autorização a todos: à família, aos vizinhos, ao padeiro, ao leiteiro, ao correio, a todos pedir humildemente que te deixem tentar ser feliz de novo, ter uma nova vida.
Sim, porque eu sou um pobre coitado, nada tenho de meu!
Não sou dono do meu nariz!
Nem a porcaria das meias que calço pela manhã são minhas!!!
Pois então, força!
Amarrem-me bem amarrado a essa cruz, e depois cravem-me cavilhas bem grandes nos pés e nas mãos de modo a que eu não possas soltar-me.
Não tenho medo, força, vamos! Façam isso!
Eu sobreviverei!
Não, nada disso…

EU VIVEREI!!!!
                                                                                                                                                           

                                                          
                                                                                    

terça-feira, 27 de maio de 2014

DECISÃO
A noite é escura.
Nada se distingue além do passo que estou a dar.
A incerteza do caminho é constante.
Vacilo.
Por onde ir?
Sinceramente, não sei, estou confuso não consigo decidir-me.
Sei que este caminho é incerto, tortuoso, cheio de obstáculos.
Sei que outro, ali ao lado, mas noutra direção, é bem mais simples. Basta voltar-me para a direita ou para a esquerda e encontrarei bem mais fácil rumo.
Mas, e no final do caminho, que posso encontrar?
A incerteza já não é tanta.
Neste caminho difícil me espera um prémio maravilhoso. Do melhor que se pode querer.
Um arco-íris de cores apelativas.
O negro, o branco, o castanho, do cabelo, da pele, dos olhos, formando um contorno de um rosto lindo, que eu conheço e quero. Quero muito.
O rosa, o rosa do amor… Um amor afirmado, repetido, tantas vezes confirmado.
E o vermelho… ah, o vermelho da paixão. A paixão… vermelho do desejo que nos tolda os sentidos e faz…. Oh, o que faz…
E a ternura… qual a cor? Não sei, branca, amarela… sei que é suave, calma, como um dia de primavera num campo de flores. Ternura que me leva a desejar tocar no rosto, acaricia-lo, beija-lo, ficar por momentos que não têm fim a olha-lo, embevecido pelo carinho que ele irradia.
Ah, o outro caminho… Bem mais visível, com uma luz esbatida, mas suficiente para ver que não tem pedras.
Só que, lá no fim do caminho, nada me espera, apenas o vazio.
Volto-me de novo para o caminho mais difícil.
Sei que o próximo passo será sem retorno.
Mas quero dar esse passo.
Sim, quero muito
E vou dar.

Podes estar certa que vou dar esse passo.
A TEMPESTADE
Se de repente uma tempestade tropical desabar sobre ti, não fujas, nem te abrigues
Fica onde estás e recebe tudo que o Céu te manda.
Pois o vento é o meu pensamento à tua procura.
Os relâmpagos, são a luz dos meus olhos que te procura.
Os trovões, são o rugido do meu coração que não te encontra.
E a chuva, amor, a chuva, são as lágrimas que eu derramo por estares tão longe de mim.
Se de repente a tempestade passar, e um dia radiante chegar, não fujas, amor.
O sol, é a luz dos meus olhos que te encontraram.
O calor, é o calor do meu coração que te encontrou.
A leve brisa, são os beijos carinhosos que te envio.
E a alegria que paira no ar, é a alegria que eu sinto por saber que és minha.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

GRITO

As ondas vêm morrer a meus pés.
Arrastadas pela água, chegam-me pedaços de algas, que se enroscam nos tornozelos, como que querendo puxar-me com elas, no seu movimento de retorno.
A areia foge debaixo de mim, abrindo caminho para a frente, para mais além.
Deixo-me levar.
Talvez assim, ajudado pelas algas, pela areia e pelo Oceano, consiga chegar mais perto de ti.
Levem-me por favor!
Levem-me para o outro lado do mundo, onde o meu destino me espera, na forma de uns cabelos compridos, negros, sedosos, na cor de uns olhos castanhos leais, na beleza de um rosto angelical, nas belas formas de um corpo jovem e sensual.
Levem-me!
Ajuda-me oceano!

Leva-me contigo por favor!