quarta-feira, 26 de março de 2014

JARDINS DE ILUSÃO

Tudo começa com um belo campo, cheio de relva verde, viçosa, brilhante, cama natural para nela se estender.
Pleno de belas flores pujantes de vida e de cores esplendorosas.
Árvores frondosas, com verdes folhas e apetecíveis frutos, vermelhos de paixão e verdes de esperança.
A entrada do jardim é franqueada por portões dourados, abertos de par em par, braços que nos acolhem com todo o entusiasmo de promessas de belezas celestiais, céus de felicidade e de paz.
Entramos.
O caminho é fácil, atapetado de murmúrios de sereias que nos encantam, deslumbram e inebriam.
Fecham-se os olhos, deixamos nos embalar por aquele paraíso de cor, palavras e emoções.
Carinhosas borboletas voam ao nosso redor, criando um arco-íris de mil cores, e a promessa de tesouros logo ali bem perto, no fim de um caminho fácil, sem escolhos nem obstáculos, nada que nos impeça de lá chegar.
Ai!... pisa-se um pequeno seixo branco, redondo, polido pela água que rega as flores. Nada que assuste, apenas um leve percalço sem importância, nada que possa obstruir o caminho.
Ai!... logo à frente outro seixo, cor de marfim, ainda redondo, ainda polido, ainda insignificante neste mar de ilusão.
E outro! E outro! E mais outro!
Cada um maior e mais sombrio que o anterior, mais irregular, mais bicudo, que nos vão magoando enquanto sobre eles caminhamos, e nos vão fazendo despertar...
Afinal a água não chega ali!
Afinal, aqui as flores não estão tão cheias de vida, já têm sede, já começam a perder pétalas, que, ainda assim, caídas e abandonadas no chão, vão encobrindo outras pedras, outro terreno seco, árido.
Começa-se a despertar para a realidade. Ergue-se a cabeça para mais além. O encanto vai-se desvanecendo, a magia desaparecendo e a realidade surgindo a nossos olhos.
Olhamos para trás.
Afinal os portões dourados já perderam a cor, já só restam lascas amareladas de uma intenção que não se distingue.
Afinal o esplendoroso jardim termina lá atrás, onde ainda estávamos a sonhar, e só existem cardos que nos rasgam a pele com seus espinhos.
Afinal a terra é árida, ressequida da vida que não tem para dar, mas que procura sugar dos incautos aventureiros.
Já não sangra a minha pele, por mais fundo que os espinhos penetrem. Todo o sangue fugiu, consciente de que se um gota fosse derramada ali, tudo voltaria a ser a ilusão do inicio.
É melhor recuar.
Fugir.
Mas sem temer nem tremer.
Antes retomando o passo decidido que nos leva para fora de imagens ilusórias, para bem longe de sonhos impossíveis de realizar.
Melhor a realidade fora dos portões dourados.
Menos dolorosa.
Saí!






O UNICÓRNIO VOADOR

O abismo estava mesmo a meus pés.
O Sol nascente projectava a minha sombra sobra a falésia e prologava-a no mar.
Esperava a sua chegada.
Tínhamos combinado nessa noite, no meio de sonhos misturados de pesadelos, esse encontro.
Ele me levaria para lá do mar, para o meu destino.
Ah, esse destino que eu tanto desejava encontrar, essa promessa de amor tantas vezes repetida, reafirmada, jurada.
A paga pelo transporte era cara, muito cara: abdicar de tudo que eu de mais valor tinha, de uma vida construída a custo, mas desfeita num piscar de olhos maligno. Afinal, uma vida que tinha de deixar de existir, por troca com outra, cheia de promessas amor, felicidade, no fundo aquilo que buscava.
Mas aceitei pagar.
E ali estava, disposto a pagar o tributo para reviver, para recomeçar tudo de novo.
Uma mancha ao fundo se destaca, pairando no céu por sobre as nuvens, fazendo delas o seu tapete voador, a sua estrada.
Branco como a neve. A sua haste como marfim, emergindo da cabeça poderosa. As asas enormes, plenas de poder, força, energia, moviam o ar que as rodeava, fazendo com que seu corpo esbelto, esguio, maravilhoso se aproximasse de mim.
Parou a meu lado. Cheirou-me, reconhecendo-me.
A sua voz poderosa fez-se ouvir sobre o murmurar das ondas ao fundo:
"És tu que queres trocar o que tens à muito, certo, sólido, pela incerteza de um olhar?
És tu quem quer acreditar em ilusões? Em palavras ditas ao vento, em imagens de espelhos retorcidos?
És tu que queres deixar almas torturadas na busca de sonhos?
Se és, paga agora o preço e monta no meu dorso, estou pronto para te levar a esse mundo de sonho que construíste e escolheste.
Mas, tens um instante, um instante apenas para decidir entre a ilusão, a incerteza, o sonho, e a realidade que é a tua. Mas lembra-te que é uma viagem sem retorno, uma troca que não pode ser desfeita, nunca mais.
O que pensas encontrar ali, no outro lado do teu destino? A felicidade? Oh, tonto, cego que não quer ver, instrumento de ilusão. Antes de subires, olha à tua volta, olha aqueles espíritos de mãos estendidas, cheias de dor pelo teu abandono, mas com os corações abertos para ti, com a luz do verdadeiro amor brilhando com a intensidade do fogo que lhes queima as veias, que tu ateaste e teimas em não querer apagar, consumindo-lhes as entranhas.
Decide agora, já!
Sobe neste instante e pagarás o tributo ou fica onde estás e nosso acordo fica anulado".
Estendi a mão para o dorso do magnifico animal, tremendo ante a compreensão do que me era exigido.
Um sopro quente veio me acariciar as costas, chamando-me de volta à realidade dos fogos que, por trás de mim ardiam com a cor do desespero.
Hesitei.
Retirei  a mão.
Então compreendi.
Dei um passo em direcção ao abismo que me chamava, com promessas de descanso e esquecimento de todos os meus problemas.
O Unicórnio, cumprindo sua ameaça, levantou voo sozinho, escondendo-se à frente do Sol que já brilhava no alto, encandeando os meus olhos e a minha dor.
O chamamento do abismo....
"Só mais um passo e descansa, vem, vem." Dizia ele numa voz sussurrante, calmante, inebriante de sentidos e de dor.
Levantei o pé para dar o ultimo passo.





terça-feira, 25 de março de 2014

Boa tarde

A vida é assim mesmo.
Há coisas que se podem substituir com facilidade, outras não.
Neste ultimo caso, substituí o meu Shreck.
Ontem fui entregar o corpo desse meu amigo cão ao Canil de Gaia;  lá vi que têm vários cães e gatos para serem adoptados.
Dei uma volta por lá e gostei, entre outros, de um cãozinho que estava numa jaula e pareceu feliz de me ver.
Fiquei surpreendido, pois poderia adoptar o cãozinho, já com o chip de identificação e todas as vacinas actualizadas, gratuitamente.
Combinei a entrega para hoje e lá fui busca-lo.
Fui com o Marco e o Zé, e ele, (o cão), aprovou a adopção, pois ficou feliz de nos conhecer, saltitando em nosso redor, levantando-se para nós, e lambendo-nos as mãos.
Até parecia que o Teko, é esse o seu nome, já nos conhecia.
Mas, que ele sentiu que iria ser bem tratado, isso sim, acho que sentiu.
Resta-me agradecer ao pessoal do Canil, extremamente simpáticos e colaboradores. Fui muito bem recebido.
Particularmente pela Dª Ana Sousa, a quem apresento os meus mais sinceros agradecimentos, pela simpatia com que fui recebido.
Aqui fica também o meu apelo para que, sempre que alguém queira/precise de um animal de estimação, se dirija a este, ou a outros, suponho que funcionam todos do mesmo modo, organismo oficial.
Aqui ficam algumas fotos do Teko.




Já são bons amigo, o Teko, o Zé e o Marco....







segunda-feira, 24 de março de 2014

A MORTE DE UM AMIGO

Hoje é um dia triste. Meu Schreck, meu amigo cão, morreu esta manhã.
Desde o falecimento de minha esposa que ele mudou seu comportamento. Nunca mais ladrou a quem passava na rua, e pouco se importava com quem entrava em casa.
Ser fiel, sempre que eu chegava a casa, saltava de alegria, saudando a chegada do seu amigo homem.
Enfiava a cabeça entre o meu tronco e o meu braço, procurando assim que eu lhe fizesse festas na cabeça, coisa que só de mim admitia; ai de quem tentasse passar-lhe a mão na cabeça, que era ameaçado com um rosnado selvagem. Apenas eu tinha autorização para o acariciar na enorme e poderosa cabeça.
Sempre que se esgueirava para a rua, e fazia-o se a porta não estivesse fechada à chave, abrindo com sua pata o fecho e depois com o focinho a porta, eu o chamava e ele corria para dentro, não sem antes ter demarcado o seu território nos carros que estavam estacionados por perto, ou no muro.
Raramente comia quando eu tinha que ir à  minha aldeia, pois sentia a minha falta.
Deixou de comer à uns dias, recusando qualquer comida que eu lhe desse.
Apenas comia um pouco de alguma coisa que meu filho Marco lhe oferecesse.
Na sua ideia, deve ter pensado que eu tive culpa do acontecido, pois, quando eu o chamava, ele caminhava em sentido contrário, virava a cabeça para trás e olhava-me com a tristeza estampada nos seus belos olhos.
Ontem, para despedida, apercebo-me agora, deixou que eu o acariciasse na cabeça, como tantas vezes fiz, e chegou até a comer alimento que eu lhe dei à mão.
Não são dores comparáveis, claro que não, mas confesso que me entristece a sua partida.
Ficam momentos de 8 anos de convivência com um animal bem melhor que muitas pessoas.
Adeus, Schreck.




  

segunda-feira, 17 de março de 2014

SER FELIZ

Não procuro piedade nem perdão,
sei que não é fácil de entender.
Apenas quero compreensão
pela minha maneira de viver

Que ninguém fique chocado
com esta minha atitude.
Sou sincero, apenas procuro
que minha vida mude.

Não é falta de respeito,
muito menos esquecimento.
É continuar a viver
sem nenhum ressentimento.

Afinal, para quê chorar
se nada assim mudarei?
A dor está dentro de mim.
Chorar, já muito chorei.

Será crime amar de novo?
Será crime querer ser feliz?
Não me parece, não,
meu coração assim mo diz

Sempre fui carinhoso, fiel,
amigo, amante dedicado.
Não me pesa a consciência.
dos meus tempos de casado

mas... acabou, não há retorno.
Não deveria acontecer.
Mas não foi culpa minha,
nada mais posso fazer.

Tenho mãe e 4 lindos filhos,
deles tenho que tratar.
mas também tenho um coração
que precisa de amar.

Não peço perdão a ninguém,
nada faço que mereça censura
o tempo é pouco? talvez seja.
Mas, sozinho a vida é dura.

De nada me arrependo
do que faço, farei ou fiz
porque afinal, o que pretendo
é apenas... SER FELIZ










quinta-feira, 13 de março de 2014

Apenas um desejo
Saímos do carro.
A chuva miudinha que caía obrigou-nos a correr.
Segurei-te pelo braço.
O sentir do teu corpo através dos meus dedos…
Rimo-nos como crianças.
Paramos na entrada do café,
Retirei o capuz de tua cabeça.
Sem querer, passei os dedos em teu rosto.
Para mim foi como uma caricia feita às escondidas,
Roubada, e como tal mais apetecida.
O café estava quente, bom…
Quase aqueci as minhas mãos entre as tuas,
Pois logo as retiraste.
Saímos para o frio e para a chuva
De novo a sensação de te tocar no braço
Mesmo através da roupa senti teu calor.
Paramos onde tu querias ir.
Ficamos a olhar aquela igreja no meio do mar.
Segurei-te pelos ombros, não resististe
Naquele momento, senti-me feliz
Imaginei aquele gesto repetido vezes sem conta.
O vento empurrava-me…
Encostei-me a ti, a medo, com medo que me repelisses.
Não o fizeste aí.
Fizeste-o quando tentei beijar-te no aconchego do carro
Desviaste a boca, o beijo escorregou para a face.
Foi pouco, demasiadamente pouco.
Sorri.
Sorri com as lágrimas que me caiam do coração
Escondidas pelo peito

Foi apenas um desejo.

quarta-feira, 12 de março de 2014

ADEUS LUCIA

Nas noites que passo acordado
Nada nem ninguém a meu lado,
Apenas esta solidão.
Fardo que suporto, bem pesado.
Cigarro atrás de cigarro fumado.
Dor que consome o coração.

Computador por companhia,
Uma tela vazia,
Nada que me faça sonhar.
Uma falta constante
Sentida em cada instante
De alguém para amar.

Partiste…
A tua falta em mim existe
Ainda que o queira negar.
Fazes-me falta, sim.
Levaste um pedaço de mim
Não sei para que lugar.

Sei que tu querias,
Pelo menos isso me dizias,
Para minha vida não parar.
Desculpa, a verdade crua
É que a lembrança tua
É difícil de apagar

Uma chega, outra parte,
Que difícil esta arte
De seduzir.
Inventamos sentimentos
Que nem em pensamentos
Chegam a existir.

Mas sei, oh se sei, que só não posso ficar
Continuarei a procurar
Alguém para companhia
Alguém que me conheça,
Alguém que preencha
Esta Vida vazia

Um dia, eu sei que vou encontrar.
E então vou-te contar
Quem na minha vida entrou.
Não toma o teu lugar.
Não quero que fiques a pensar
Que teu lugar apanhou.

Embora sem te esquecer,
Vou de certeza me erguer
E enfrentar nova vida.
Pois apenas esta tenho
E, com todo o empenho,
É para ser vivida.

Não posso viver de saudade,
Vou procurar a felicidade.
Queres isso, de certeza.
Tantas vezes isso dissemos
Nas conversas que tivemos,
Todos juntos, na nossa mesa

Nossos filhos estão a meu cargo.
Pesado, mas é um fardo
Que carrego com alegria
Estamos sempre bem unidos
Unimos nossos sentidos
Numa alegre fantasia.

Descansa em paz, meu amor
Vai ficar minha dor
De te ter perdido.
Vai ficar o sentimento,
De durante muito tempo
Contigo ter vivido

Fiz-te feliz, eu sei
Sempre te respeitei
E fui feliz a teu lado.
O amor que te dediquei,
Os carinhos que te dei,
Infelizmente, são passado

Não quero chorar mais, já chega.
A minha dor não nega
Estes sentimentos meus.
Preciso esquecer esta dor
E assim, meu amor...
Assim te digo....ADEUS










domingo, 9 de março de 2014

 A PRIMEIRA VEZ DO MEU ZÉ
Boa tarde de novo.
Hoje foi um dia marcante. Teve lugar um acontecimento que marca a vida de qualquer homem. E digo homem, porque este acto é unicamente masculino.
Refiro-me, como é evidente, e certamente já adivinharam, à
1ª VEZ QUE O MEU ZÉ CORTOU A BARBA.
Auxiliei, ajudei, ensinei, o melhor que posso e sei, aliás, como sempre faço quando transmito conhecimentos.
Aqui ficam as fotos, testemunhos irrefutáveis deste acontecimento.





































BOA TARDE
 Tarde de domingo, por casa a descansar.
Depois de uma viagem à minha aldeia, Santo Amaro, em que trabalhei como um negro, o  melhor seria mesmo fica por aqui, a descansar.
Esta é a minha aldeia natal, Santo Amaro, Vila Nova de Foz-Côa.
Trato lá algumas videiras, oliveiras e amendoeiras, que me dão muito mais trabalho que rendimento, ahahah.
Estão nuns terrenos que meus pais compraram, e que são nossos; de minha mãe, irmã e meus.
Mas dá-me muito prazer estar naquele sossego, ouvir o silencio e sentir a natureza.
Aspecto parcial da minha vinha, intercalada aqui e ali por outras árvores de maior porte.
Terminei a poda das videiras, trabalho que teria que ser feito até final de Março.
Minha primeira intenção, era de ir na sexta e voltar hoje, domingo, ao principio da tarde, como habitualmente; teria tempo de terminar o serviço nas calmas, sem grande esforço.
Mas, no sábado de manhã, uma saudade imensa de meus filhos me assolou.
Senti que precisava deles, e eles de mim.
Assim, no sábado, começamos, eu e meu cunhado, o trabalho bem cedo pela manhã, e só terminamos no final da tarde, já perto das 19:30. Mas fizemos tudo que tínhamos planeado, e assim, mal cheguei a casa, mudei de roupa e fiz-me à estrada de regresso a casa.
Foi uma bela surpresa que fiz a meus filhos, bem atestada pela recepção que tive, e pelo abraço partilhado entre nós.
Nesta altura de nossas vidas, é muito difícil ficarmos separados mais que as horas estritamente necessárias ao cumprimento de nossas obrigações.
É bom estarmos em casa, no meio de quem nos quer bem.


quarta-feira, 5 de março de 2014

Boa Tarde

Estou a começar um novo ciclo de minha vida.
Depois do tsunami que passou por mim e toda a minha família, que nos deixou a todos aturdidos, abalados, tenho que enfrentar a vida com outros olhos, e com uma força redobrada.
Como o Marquês de Pombal, tenho que cuidar dos vivos. E os vivos são os meus 4 Tesouros, não deprimentes, mas pelo contrario, incentivadores, e de minha mãe, que cada vez mais necessita de apoio.
Pois cá estou para servir de mastro onde eles prendem as suas amarras, de porto de abrigo onde eles se sintam seguros.
Preciso ser pai, mãe e filho, velando para que nada, e muito menos o carinho, lhes seja negado.
Limpar o caminho dos obstáculos que a tempestade deixou, afastar as nuvens para que o Sol volte a brilhar.
Como em todas as tragédias, também esta teve seu lado positivo.
Depois da enorme onde de solidariedade de que fomos alvo, sinto-me cada dia mais perto deles; estreitamos laços de colaboração e de cumplicidade; tem sido delicioso o convívio entre nós.
Permitiu-me também  o acontecido, estreitar laços de amizade com pessoas que sendo apenas conhecidos, passaram a fazer parte do estrito lote de pessoas que me honram com a sua amizade.
O maior exemplo disso, é uma nova amiga, a Drª  Helena, pessoa com quem tido o gosto de conversar amiúde.
Professora, educadora, mãe, esposa, etc., revela esta pessoa um carácter, uma nobreza de sentimentos bem acima da média. Foi ela que me incentivou a continuar a escrever aqui, depois de uma visita a esta simples montra de palavras e de sentimentos.
Espero não desiludir ninguém com este regresso.
Mais logo, continuarei com a actualização deste Blog.
Continuação de bom dia a todos.