Dias de
felicidade
O Sol queimava
a pele.
Mas não era
ele que nos incendiava, mas sim a proximidade de nossos corpos.
Tínhamos
descoberto que afinal o que pensávamos que sentíamos era real, mas não era.
Afinal, o
que sentíamos um pelo outro era muito mais.
Era algo que
nunca eu poderia imaginar, e que me surpreendeu a mim próprio.
Era um
sentimento avassalador, que nos drogava e nos fazia sentir, a cada gesto, em
cada contacto de nossa pela, um fogo, uma paixão, um sublime amor que ambos
procurávamos e que descobrimos um no outro.
Sentimos
isso desde a primeira troca de olhares no aeroporto, quando eu olhei a multidão
e te vi, timidamente escondida, escudada por quem te acompanhava.
Se os olhos
são o espelho da alma, em nós foram o espelho de um amor eterno que nada poderá
destruir.
Senti-me tremer. De ânsia de te abraçar,
emocionado pelo real conhecimento e pelo concretizar do sonho de sentir tua
pele, teu cheiro, teu sabor.
E foi bom.
Não, não foi, foi maravilhoso, foram sensações desconhecidas que me subiam do
coração à consciência de finalmente te sentir.
Nosso
primeiro beijo foi um despertar de sentidos adormecidos, recalcados tantas
vezes, tantas noites passadas com um ecrã de permeio.
Depressa
sentiste e retribuíste a batalha de nossos lábios e de nossas línguas,
transmitindo o que as mãos iam descobrindo à medida que nos tocávamos.
Quando
entramos no quarto do hotel, a timidez sobrepôs-se por momentos.
Mas logo os olhos, que não as bocas ocupadas em novos
beijos, falaram mais alto e nos desnudamos na ânsia de nos
realizarmos.
Maravilhoso
corpo o teu, redescoberto em cada poro, em cada gemido prolongado pelas horas
adentro.
Maravilhosa
mulher!
Massajando
com o sabonete, descobria de cada vez como se fosse a primeira, a
voluptuosidade de sonhos até então intangíveis.
E o mar,
esse maravilhoso mar!
E a
Natureza, tantas vezes em estado virgem, que juntos descobrimos em passeios que
nos levavam a paraísos, para nós intocados, onde o nosso amor explodia ao sabor
das ondas mansas que nos banhavam os corpos.
Contigo tudo
foi maravilhoso, belo, porque estávamos juntos.
Contigo vivi
os mais belos dias da minha existência.
Contigo
senti o mais forte, o mais imenso dos amores, o Zénite da felicidade.
Em ti, eu descobri
o amor, reflectido nos teus olhos brilhantes, sentindo-me amado como nunca.
Em ti eu vi
a mais maravilhosa das mulheres, e senti-me, como me sinto, o mais afortunado
dos homens por ser o objecto desse amor.
Contigo
conheci o que nunca pensei existir.
Contigo
continuarei a descobrir o paraíso da existência, assim o tempo e a distância
nos permitam.
Vivo,
vivemos, da saudade dos dias passados, e da certeza que serão repetidos.
As lágrimas
que vertemos, que tentamos esconder, não são de dor ou de mágoa, mas sim de
saudade por horas, dias que ambos desejamos ardentemente se repitam,
incessantemente, até à eternidade.
E iremos,
sim, vive-las de novo, meu amor.
Prometo!