quinta-feira, 13 de março de 2014

Apenas um desejo
Saímos do carro.
A chuva miudinha que caía obrigou-nos a correr.
Segurei-te pelo braço.
O sentir do teu corpo através dos meus dedos…
Rimo-nos como crianças.
Paramos na entrada do café,
Retirei o capuz de tua cabeça.
Sem querer, passei os dedos em teu rosto.
Para mim foi como uma caricia feita às escondidas,
Roubada, e como tal mais apetecida.
O café estava quente, bom…
Quase aqueci as minhas mãos entre as tuas,
Pois logo as retiraste.
Saímos para o frio e para a chuva
De novo a sensação de te tocar no braço
Mesmo através da roupa senti teu calor.
Paramos onde tu querias ir.
Ficamos a olhar aquela igreja no meio do mar.
Segurei-te pelos ombros, não resististe
Naquele momento, senti-me feliz
Imaginei aquele gesto repetido vezes sem conta.
O vento empurrava-me…
Encostei-me a ti, a medo, com medo que me repelisses.
Não o fizeste aí.
Fizeste-o quando tentei beijar-te no aconchego do carro
Desviaste a boca, o beijo escorregou para a face.
Foi pouco, demasiadamente pouco.
Sorri.
Sorri com as lágrimas que me caiam do coração
Escondidas pelo peito

Foi apenas um desejo.

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