DECISÃO
A noite é
escura.
Nada se distingue além do passo que estou a dar.
A incerteza do caminho é constante.
Vacilo.
Por onde ir?
Sinceramente, não sei, estou confuso não consigo decidir-me.
Sei que este caminho é incerto, tortuoso, cheio de obstáculos.
Sei que outro, ali ao lado, mas noutra direção, é bem mais simples.
Basta voltar-me para a direita ou para a esquerda e encontrarei bem mais fácil rumo.
Mas, e no final do caminho, que posso encontrar?
A incerteza já não é tanta.
Neste caminho difícil me espera um prémio maravilhoso. Do melhor
que se pode querer.
Um arco-íris de cores apelativas.
O negro, o branco, o castanho, do cabelo, da pele, dos olhos,
formando um contorno de um rosto lindo, que eu conheço e quero. Quero muito.
O rosa, o rosa do amor… Um amor afirmado, repetido, tantas
vezes confirmado.
E o vermelho… ah, o vermelho da paixão. A paixão… vermelho do
desejo que nos tolda os sentidos e faz…. Oh, o que faz…
E a ternura… qual a cor? Não sei, branca, amarela… sei que é
suave, calma, como um dia de primavera num campo de flores. Ternura que me leva
a desejar tocar no rosto, acaricia-lo, beija-lo, ficar por momentos que não têm
fim a olha-lo, embevecido pelo carinho que ele irradia.
Ah, o outro caminho… Bem mais visível, com uma luz esbatida,
mas suficiente para ver que não tem pedras.
Só que, lá no fim do caminho, nada me espera, apenas o vazio.
Volto-me de novo para o caminho mais difícil.
Sei que o próximo passo será sem retorno.
Mas quero dar esse passo.
Sim, quero muito
E vou dar.
Podes estar certa que vou dar esse passo.
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