segunda-feira, 7 de julho de 2014

Um sonho

O brilhante disco do Sol descia no horizonte. Já se misturavam os seus raios amarelos com o azul do mar, formando uma nevoa vermelha, oh, mistério da natureza.
Lá, tão longe.
Deitei-me na areia, sentindo-a a moldar-se a meu corpo. Fechei os olhos, ofuscados pelo brilho do astro-rei, tentando não me deixar embalar por aquela luz. Queria a minha escuridão.
Mesmo assim a sua luz teimava em romper as pálpebras.
Um suave ranger de areia… algo interrompe o fluxo da luz em meus olhos, uma sombra… uma nuvem, pensei.
Mas as nuvens passam silenciosas, não calcam a areia.
Não quero saber, pensei. Que passe e me deixe aqui, à espera de quem não vem.
Não passou, ficou.
Abro lentamente os olhos, preparando-me para pedir que se afaste.
O sol impede-me de ver claramente quem assim me incomoda.
Lentamente, uma forma humana se revela à minha visão.
Distingo-a pela cabeça, moldada por uma abundante cabeleira, de cabelos lisos que escorrem da cabeça e se lançam à procura das costas.
Uma sereia! Pensei, mas logo desfiz a ideia, pois abaixo dos cabelos, seguindo o contorno de um corpo cheio, bem definido, descobri a forma de duas pernas. Sereias não têm pernas! Saíam de uma túnica que esvoaçava ao vento, e que deixava adivinhar os seus contornos bem delineados, bem-feitas, deliciosamente torneadas como que trabalhadas por um experiente escultor.
Os pés, meio enterrados na areia, eram finos, proporcionais ao belo corpo que sustentavam, tendões bem delineados, de dedos delicados e bem cuidados.
Eu conheço-te! És tu! Exclamei estupefacto pela repentina aparição.
Então, já mais habituado à luz solar, vi finalmente teu rosto!
Esse rosto que me habituei a amar, lindo, com teus traços que me encantam.
Teus olhos, que eu sei castanhos, emitiam um brilho de felicidade que pedia meças ao brilho do Sol.
Na tua boca, esse sorriso que tu sabes que me deixa extasiado, onde brilham dentes alvos como marfim.
Teu pescoço, teus ombros, teus seios, tudo se me revelava finalmente, dando-me a certeza que eras tu que ali estavas.
És tu! Exclamei de novo.
Não falaste, pois os sonhos não falam.
Estendeste-me a tua delicada mão, que eu apertei, e ergueste-me da cama de areia em que eu estava prostrado.
Sem deixares de me olhar, recuaste, entrando no mar.
Segui-te!
Sim, segui-te, pois eu te sigo e seguirei toda a vida, confiando-a em tuas mãos! 
Entramos, e caminhamos sobre as águas, qual milagre repetido, e de repente levantamos voo em direção ao Céu.
Onde me levas? Perguntei-te, sorrindo.
Apontaste-me lá ao longe, o nosso destino.
Sim, disse-te, Sim!
Sei que contigo e só contigo estarei no Paraíso.

E fomos, levados pelo vento e pelos nossos sonhos, ficar num paraíso por ti criado, onde vivemos felizes toda a eternidade.

Para ti, Maria Aparecida Sandes

Cidamor



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