segunda-feira, 24 de março de 2014

A MORTE DE UM AMIGO

Hoje é um dia triste. Meu Schreck, meu amigo cão, morreu esta manhã.
Desde o falecimento de minha esposa que ele mudou seu comportamento. Nunca mais ladrou a quem passava na rua, e pouco se importava com quem entrava em casa.
Ser fiel, sempre que eu chegava a casa, saltava de alegria, saudando a chegada do seu amigo homem.
Enfiava a cabeça entre o meu tronco e o meu braço, procurando assim que eu lhe fizesse festas na cabeça, coisa que só de mim admitia; ai de quem tentasse passar-lhe a mão na cabeça, que era ameaçado com um rosnado selvagem. Apenas eu tinha autorização para o acariciar na enorme e poderosa cabeça.
Sempre que se esgueirava para a rua, e fazia-o se a porta não estivesse fechada à chave, abrindo com sua pata o fecho e depois com o focinho a porta, eu o chamava e ele corria para dentro, não sem antes ter demarcado o seu território nos carros que estavam estacionados por perto, ou no muro.
Raramente comia quando eu tinha que ir à  minha aldeia, pois sentia a minha falta.
Deixou de comer à uns dias, recusando qualquer comida que eu lhe desse.
Apenas comia um pouco de alguma coisa que meu filho Marco lhe oferecesse.
Na sua ideia, deve ter pensado que eu tive culpa do acontecido, pois, quando eu o chamava, ele caminhava em sentido contrário, virava a cabeça para trás e olhava-me com a tristeza estampada nos seus belos olhos.
Ontem, para despedida, apercebo-me agora, deixou que eu o acariciasse na cabeça, como tantas vezes fiz, e chegou até a comer alimento que eu lhe dei à mão.
Não são dores comparáveis, claro que não, mas confesso que me entristece a sua partida.
Ficam momentos de 8 anos de convivência com um animal bem melhor que muitas pessoas.
Adeus, Schreck.




  

1 comentário:

  1. O melhor amigo do Homem assume, por vezes, a dor que o homem não quer assumir. E, porque sofre a sua dor e a do homem, mesmo um coração grande como o dele, não aguenta.
    Nela

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